Parceria lucrativa pode ser bem mais antiga do que supunha a investigação
Documentos obtidos por Crusoé trazem revelações sobre o caso das rachadinhas que envolve o notório Fabrício Queiroz e o hoje senador Flávio Bolsonaro, o filho 01 do presidente.

Os documentos mostram que a relação de Queiroz com o gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio é bem mais antiga do que a investigação sobre a rachadinha considera como o ponto de partida da lucrativa parceria.
Leia um trecho da reportagem:
A prisão, em junho, do subtenente da reserva Fabrício Queiroz, acusado de operar um esquema de lavagem dinheiro no gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro, pôs fim a uma pergunta que corria o país, mas não esclareceu todas as dúvidas do caso. Ainda pairam interrogações, por exemplo, sobre a profundidade da relação entre ele e a atual família número um da República. Aos poucos, as peças que ainda faltam nesse quebra-cabeça vão surgindo. Uma delas, que revelamos agora, diz respeito ao início dos serviços prestados por Queiroz ao antigo gabinete do filho 01 do presidente Jair Bolsonaro. Até agora as investigações apontavam que Queiroz começou a trabalhar para Flávio no começo de 2007. Documentos inéditos obtidos por Crusoé, porém, mostram que a história dele no gabinete vem bem de antes. Queiroz começou a ciceronear Flávio ainda no primeiro mandato de deputado do 01, em agosto de 2003. Foi cedido pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, onde trabalhava, de forma “oficiosa”, para ser um agente de segurança a serviço do filho do presidente…
No dia 25 de agosto de 2003, o deputado Flávio Bolsonaro pediu a nomeação de Fabrício Queiroz para seu gabinete. Imediatamente, em despacho escrito à mão, o Comando da Polícia Militar mandou Queiroz se apresentar no dia seguinte, 26 de agosto, “ao ilustre parlamentar”. Na mesma data, o boletim interno da PM transferiu Queiroz do BPVE, o Batalhão de Policiamento em Vias Especiais, para a DGP, a Diretoria Geral de Pessoal, a seção onde ficam formalmente lotados os policiais cedidos a outros órgãos. Dois dias depois, a PM deu início à formalização do processo extraoficial, mas somente em 30 de outubro de 2003 Queiroz assinou uma declaração informando estar ciente de que, se ficasse mais de dois anos cedido, seria transferido para reserva remunerada. À época, ele ainda era 2º sargento.
Em 6 de novembro de 2003, o major responsável pela movimentação de pessoal informou que Queiroz servia “na DGP à disposição, oficiosamente, do dep. Flávio Bolsonaro desde 26 de agosto de 2003”. O major destacou o termo “oficiosamente” em negrito. Ponderou que a “cessão ou disposição de policiais militares” deveria ocorrer com “autorização governamental”, e tornada pública em Diário Oficial. Àquela altura, o deputado Flávio Bolsonaro omitia que Fabrício servia ao seu gabinete. Em 24 de outubro de 2003, Flávio requereu à Assembleia Legislativa uma moção de “louvor e congratulações” ao então sargento. Informou, incorretamente, que Queiroz ainda estava lotado no Batalhão de Policiamento em Vias Especiais…
A reportagem dá todos os detalhes da transferência de Queiroz para o gabinete de Flavio Bolsonaro.
E traz informações também sobre a relação de Flávio Bolsonaro e Queiroz com Adriano da Nóbrega, ex-PM morto em fevereiro por policiais do Rio e da Bahia durante uma operação para prendê-lo – Nóbrega era acusado de chefiar o Escritório do Crime, um bando de matadores profissionais. Fonte: O Antagonista



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