
Jair Bolsonaro não tinha três meses de governo quando foi recebido pelo presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca, em março de 2019. Após a visita recheada de promessas sobre a relação bilateral, Bolsonaro passou a demonstrar publicamente ainda mais sua admiração pelo “grande amigo” e nunca escondeu seu desejo de que Trump seja reeleito.
As pesquisas de intenção de voto nos Estados Unidos, no entanto, mostram que Bolsonaro deve começar a se acostumar com a ideia de, nos próximos dois anos, se relacionar com um governo democrata em Washington.
Dos dois lados, o futuro da relação já é um tema de tensão. Após o primeiro debate entre Joe Biden e Trump, Bolsonaro respondeu ao candidato democrata que “não aceita suborno” e que Biden estava abrindo mão de uma “convivência cordial e profícua” ao dizer que o Brasil enfrentará “consequências econômicas significativas” caso não pare a destruição da floresta amazônica.
Apesar da retórica inflamada, integrantes do governo brasileiro ouvidos pelo HuffPost dizem estar confiantes de que a relação com um eventual governo Biden terá convergências – e que as posições dos dois países sobre clima e meio ambiente não são tão diferentes quanto parecem.

Há ainda um ceticismo de que as preocupações ambientais de Biden vão se sobrepor ao comércio bilateral, que somou US$ 73,7 bilhões em 2019, com superavit de US$ 12,2 bilhões para os Estados Unidos. O Brasil foi o 9º maior comprador do país em 2019 – importou US$ 42,9 bilhões, o equivalente a 2,6% do total de exportações, segundo dados do censo americano. Em 2020, o Brasil já representa o 3º maior superavit dos EUA.
Embora nos EUA especialistas estejam igualmente confiantes de que as relações entre os dois países, em geral, seguirão seu curso, o clima entre os dois países dependerá de como Bolsonaro vai reagir se Biden colocar a questão ambiental como sua prioridade.
“Seria um erro assumir que deixaríamos de cobrar o Brasil em temas tão importantes”, diz Thomas Shannon, que foi embaixador em Brasília durante o governo Obama. “Biden sinalizou um deles, a Amazônia – e o impacto da devastação na biodiversidade e no clima.”
Já Juan Gonzalez, um assessor sênior do candidato democrata para a América Latina, afirma que “em qualquer relacionamento de Biden com líderes ao redor do mundo, a mudança climática estará no topo da agenda. “E isso inclui o Brasil”, disse. “Qualquer pessoa, no Brasil ou em qualquer outro lugar, que pense que pode ter um relacionamento ambicioso com os Estados Unidos ignorando questões importantes como mudança climática, democracia e direitos humanos, claramente não tem ouvido Joe Biden durante a campanha”, completou.



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